Olá Deus,
Quem escreve-te é uma humana como qualquer outro ser que aqui, na terra, reside.Alguém nem mais, nem menos, que o restante, mas simplesmente sentiu vontade de dizer-te algumas coisas.
A inconstância da vida, querido Deus, é algo, ou talvez o maior dos motivos , que a torna bela e fascinante, ao mesmo tempo. É, no mínimo, surpreendente a quantidade de fatos e de coisas que compõe nossa história, sem falar nas incontáveis pessoas e essências deixadas por elas.Acredite, nossa vida pode mudar de rumo muitas vezes, algumas até inesperadas, mais o que permanece conosco é de nossa total responsabilidade.
Sei, deve está pensando mais ou menos assim- Como alguém de alma tão inquieta e de tão pouca idade quer parar e falar da vida? Algo de tão complexo. Concordo, e nem sei o porquê. Na verdade, talvez eu saiba e tudo seja fruto da inquietude existente dentro de mim, insanidade, sede de liberdade e revolta pelas injustiças.
Injustiças?Sim, existe muito dela ao nosso redor, e cada um deve perceber a quantidade de oprimidos e injustiçados.Olhar para o lado o bom sem preocupar-se com o outro lado da situação, ah, isso é bom demais.Porém, prefiro aqueles, que mesmo desfrutando de uma boa situação, enxergam totalmente a realidade daqueles que sofrem, principalmente aqueles que revoltam-se e fazem algo para ajudar.
Sou como um pássaro, que ama sua liberdade, por favor, não me julgue por causa disso.Vivo em um mundo bipolar , entre minha liberdade e meu coração e, muitas vezes, minha euforia passou por cima de um dos dois. Hoje, aprendi a conciliar a arte da liberdade com a do coração, logo, não preciso cortar minhas asas.Estas permanecem lindas e sem defeito algum, prontas para qualquer voo que eu desejar dar. Não me domestiquei, até mesmo porque nunca me domesticarei com o que eu não quero, apenas adaptei-me às situações e aprendi a levar no bater da minhas asas tudo o que eu amo. Pois, amor algum existe sem a liberdade.
Por fim, Deus, em meio a esta carta, talvez um pouco sem nexo, peço-te muita luz dourada, não só para mim, mas, para toda a humanidade. Pela sua atenção, meu muito obrigada.
Atenciosamente, Ana Clara Rangel.

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